"Hoje fazem 25 dias que perdi minha filha Melissa de 8 meses!

 Nasceu morta com 51cm e 2731kg  devido seu coração ter parado de bater. Na mesma semana do meu pré Natal dia 09/03 estava tudo bem na sexta-feira dia 13 percebi que ela não estava mexendo, mas achei normal por ver notícias que com 32 semanas o bebê mexe menos devido ir ficando  sem espaço. No sábado de manhã acordei com uma imensa dor de cabeça, enxaqueca das bravas. Comi e logo apos o almoço percebi que nada mudou. Então alguma coisa dentro de mim dizia para eu ir ao pronto Socorro. La fui e imediatamente fui atendida. Qdo cheguei na sala de triagem e a enfermeira perguntou minha queixa e eu disse da dor de cabeça e que minha filha não mexia há 2 dias. Ela tentou ouvir os batimentos e não ouviu.

Logo me encaminhou para sala do médico. E lá uma médica muito despreparada residente, tentou tbm ouvir os batimentos e não conseguiu. Ali ela olhou para enfermeira pediu o aparelho de ultrassom e eu aguardei na maca, fiz exame de Toque estava sem dilatação colo do útero fechado, então chegou o aparelho e foi a pior hora da minha vida iniciou se um martírio. Ela fez o ultrassom e não tinha batimentos. Eu olhei para ela e ela disse friamente não tem o que fazer, sua filha está morta. Sai correndo do hospital Municipal e fui dirigindo até minha casa, qdo liguei para uma amiga me levar até o hospital particular.

La foi a mesma coisa mas uma médica acolhedora e carinhosa tbm, solicitou ultrassom, tentou pegar os batimentos cardíacos e nada.

Eu liguei para meu marido que estava em uma loja com o meu outro filho de 6 anos ir me encontrar.

Minha reação era, raiva revolta eu clamava por um milagre a médica chamou meu marido e eu no consultório para decidirmos o que faríamos, parto induzido ou cesárea eu não aguentava imaginar passar pelo parto normal e não ouvir seu choro. Optei pela cesárea. Fomos para casa meu filho foi para casa da minha amiga, onde passou a noite.

É como se fosse a nossa despedida com a Melissa eu e meu marido sozinhos em casa, dormimos juntinho choramos muito pedimos muito perdão por tudo que pudéssemos ter falhado.

No outro dia, 15 de Março fui para o hospital particular me internei já estava desde sábado dia 14/03 as 14:00 sem comer nada. Então só estava aguardando para ir para o Centro cirúrgico

Enquanto estive internada , recebi a visita de todos os meus irmãos e alguns amigos mais próximos.

Ao 12:30 fui para o Centro cirúrgico e sai de la as 15:00  vi minha filha apenas no colo da enfermeira onde pude dar um beijo em seus olhos e a batizei com seu nome. Meu marido esteve ao meu lado o tempo todo. Mas a pior parte ficou para ele ter que enfrentar sozinho, cuidar do enterro e todo procedimento burocrático. Pois ela tinha 51cm e 2731kg  pesagem e tamanho que precisara  ser enterrada.

Tudo aconteceu muito rápido fui para o quarto, fiquei sozinha recebi algumas visitas não podia falar devido a cirurgia.

Dormi um pouco. Pedi para meu esposo passar a noite com meu filho em casa, que eu ia ficar bem sozinha estava assistida pelas enfermeiras do hospital. Ele foi pois a Melissa já tinha sido levada pela Urban, só ficou 2 horas no necrotério do hospital onde alguns parentes puderam visita-la.

Muita dor, no dia seguinte as 8:00 ele já tinha que estar no cemitério para exumar o corpo da tia dele, onde foi acolhido por uma madrinha nossa de casamento ceder o jazido para enterra-la.

Ele levou meu filho para ficar comigo durante o velório e enterro.

E eu pelo estado que me encontrava não pude me despedir da minha filha linda Melissa.

Alguns elementos foram enviados para a biópsia naquele dia.

Ainda permaneci 2 dias no hospital. Sai de lá com um enorme buraco dentro de mim, vendo o choro de tantas crianças naquela maternidade. Eu queria morrer, desejei isso desde o instante que soube que ela havia morrido.

Ali, eu também morri, morreu minha fé. Eu sempre fui muito religiosa, me senti sozinha, abandonada por Deus. Eu clamei implorei por um milagre até o momento da cesárea que qdo me abrisse ela tivesse seus batimentos e que os médicos fossem desenganados. Mas não, Deus a tirou de mim.

Deixou ela ficar comigo 241 dias e depois a tirou, continuo sem resposta. Porque Deus permitiu ela ficar até 8 meses? Mais algumas semanas e ela estaria comigo em casa.

Foi muito doloroso chegar em casa, ver seu quarto tudo pronto. Na próxima semana seria seu chá de bebê. Ainda tive que desmarcar pessoa por pessoa e explicar o que havia acontecido, cancelar buffet, decoração, etc.

Hoje já tenho o resultado da biópsia que deu como comioriote suprutiva uma infecção na placenta por bactéria, a qual realizei milhares de exames inclusive de trombofilia mas não tive nenhum sucesso. Ainda não sei como e o porquê peguei essa infecção que fez com que não passasse oxigenação para ela e seu coração parou de bater.

Hoje apos 25 dias, vivo todos os dias iguais, choro, me sinto culpada, revoltada, não como, não durmo , Não consigo fazer nada, não consigo rezar. Só me perguntando o tempo todo meu Deus porquê?

Hoje abro seu quarto deixo o ar entrar, mas ainda com a sensação de que ela vai voltar.

Ainda não encontrei o propósito disso tudo.

Essa é minha história Danielle mãe da eterna Melissa!”