Embora eu tenha trabalhado em cartório de registro civil por um tempo, nunca parei para prestar atenção em uma certidão de NATIMORTO.
Algumas mães de anjos, ao registrar o óbito de seus filhos tiveram garantido o direito de uma certidão os nomes deles, por existirem leis estaduais que assim permitiam.
Na certidão da minha filha, não tem o nome dela. Nós não pudemos documentar a existência da nossa Isabelle de forma correta. Perante as leis do nosso país ela foi simplesmente um ser que nasceu em óbito e nada além.
É difícil expressar em palavras a minha revolta quando eu soube que não tinha o nome da minha filha no único documento legal que prova que ela existiu.
Ela não era um feto, ela era a minha menina e ela tinha um nome, desde que Deus plantou em nossos corações o desejo de sermos pais, ela já tinha um nome.
Nunca foi um bebê qualquer, sempre foi e sempre será ISABELLE SCHIAVO FERREIRA.
Existem tantas leis fúteis, sem nexo, sem sentido....
E os nossos políticos não tiveram a decência de criar leis que nos amparem. No Brasil não existe uma lei que trate de violência obstétrica e ainda por cima não existe uma lei que possa reconhecer em um documento o nome de nossos filhos depois que essa violência nos tira o nosso bem mais precioso.
É vergonhoso, é decepcionante, é desrespeitoso e mais uma vez é doloroso.